“Você não fotografa com sua câmera. Você fotografa com toda sua cultura.”
Refletindo sobre essa célebre frase de uma das minhas grandes inspirações, Sebastião Salgado, percebemos que fotografia não é apenas ter uma boa câmera, boas lentes e boas técnicas fotográficas. Se trata também, de ter o que dizer.
O gênero da fotografia documental une a visão única de um fotógrafo com a verdade dos fatos contados. Ou seja, a verdade é fundamental. E o grande objetivo da imagem é demonstrar com clareza qual foi a história e a emoção vivida naquele momento.
Podemos dizer, que a fotografia documental representa a verdade dos fatos, segundo é claro, a visão de quem fotografa. Não se pode dizer que a foto trás uma verdade objetiva, isso não é realmente possível. Ela trás uma verdade subjetiva, em que o sujeito fotógrafo utiliza de todas as suas emoções, sua visão e sua bagagem para registrar o momento.
Outra característica importante é que as fotos precisam demonstrar um senso de continuidade para o observador, contando realmente a história do que foi vivido.
Por isso é importante que você se identifique com a visão do fotógrafo que você está contratando, pois será através do olhar, das crenças e dos valores dele que os seus momentos serão registrados.
Se tratando de casamentos, muitas vezes chamados de o “dia mais importante” da vida de uma pessoa, a responsabilidade para contar a história é imensa. Sorte não é um fator determinante. Nós já sabemos que uma parte importante da história de vida das pessoas ali presentes irá acontecer, então é imprescindível que o fotógrafo se prepare para esse momento. Estudando, treinando e valorizando o ser humano envolvido nas suas fotos.
É importante salientar que a responsabilidade em registrar essa história é do fotógrafo, e inclusive, sempre peço para as minhas noivas curtirem o momento, peço para pensar apenas nas pessoas que ela ama e que estão ali, torcendo por elas. Que tentem ao máximo ignorar a minha presença, para que, o meu trabalhar não seja um distrator do que realmente importa.
Claro, não estou dizendo que o retrato tradicional não tem a sua importância. Posar com os integrantes desse dia faz parte e nos trás alguma memória. Porém, o peso sentido com o registro de uma emoção verdadeira é outro.
Quando vemos uma foto com sentimentos verdadeiros, conseguimos identificar. E se você viveu aquele momento, será capaz de sentir novamente o que sentiu naquele dia. Isso é MUITO FORTE!


Consegue perceber a diferença?
Garanto que sim, mas agora imagine que é você na foto. Você sempre sonhou em casar vestida de noiva, você planejou, guardou, trabalhou, idealizou. O dia finalmente chegou, e agora você vai colocar o vestido dos seus sonhos, e não, não é uma prova. O que você acha que vai sentir? Eu sinceramente não sei, mas esse não é o meu papel. O meu papel é garantir que daqui a 5, 10 anos, você olhe para essa foto e se lembre exatamente o que sentiu naquele dia.
Nessa outra foto, eu pedi que a mãe segurasse a mão da sua filha. O primeiro olhar que elas trocaram provavelmente foi de vergonha, ou estavam preocupadas em como ficariam na foto, não é?

Agora observe o segundo olhar, depois de alguns segundos. Percebe a sinceridade?

Eu não tenho como saber o que a mãe pensou naquele momento, ou o que ela disse com os olhos para a filha. Mas eu tenho certeza, que ao olhar a foto, elas se lembrarão.
Viu? Nem só de “pode beijar a noiva” vive o casamento! São tantos detalhes, tantos momentos. Tudo pode ser importante.
Não preciso nem mencionar o quanto esse tipo de fotografia me faz feliz, não é?
Fotografia documental é isso.
Registrar a verdade segundo meus olhos.
Congelar instantes.
Eternizar sentimentos.
Agora me diz, que tipo de foto você quer que registre os seus sentimentos?